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Por DAVID MARSING (INTEL Corporation).
"Realizando Mudanças
no Seio de uma Organização já Estruturada" .
" Human Dynamics: "o pilar mais importante" no desenvolvimento
de uma consciência comunitária e na obtenção de desempenhos, individual
e de equipe, extraordinários."
"Há três anos(1992-1995) que gerencio a Fabrica 11, a fábrica
da Intel nos arredores de Albuquerque, Novo México. Inauguramos
esta instalação em 1992 como uma unidade-piloto para projetos de
produto e eu fui seu primeiro funcionário. Desde então, a Fabrica
11 cresceu de forma um tanto assustadora - no final de 1996, a unidade
estará empregando duas mil pessoas e mais mil sub-contratados. Além
disto, cerca de outras mil pessoas da Intel estão diretamente envolvidas
em uma variedade de serviços de apoio a essa unidade.
É, na atualidade, a maior fábrica de semicondutores
existente; e, até dezembro de 1996, sua receita com produtos acabados
ultrapassará o índice de um milhão de dólares por hora. Para gerar
uma receita tão alta temos tido que realizar muito planejamento.
Obviamente tivemos que alcançar os resultados esperados pela companhia
e, para fazê-lo, integramos uma porção de novas idéias, estruturas,
sistemas e processos nessa fábrica.
Eu também estava em busca de um novo princípio
- o de realmente desenvolver e criar valor - valor na força de trabalho,
valor em cada indivíduo, valor em termos de produtividade e capacidade
dos recursos físicos e valor em nossos relacionamentos com a comunidade.
Para atingir este objetivo de criar valor na força de trabalho,
demos início a vários treinamentos na Fábrica 11 - bons treinamentos.
E eles contribuíram muito para este objetivo.
| Eu
também estava em busca de um novo princípio - o de realmente
desenvolver e criar valor - valor na força de trabalho, valor
em cada indivíduo, valor em termos de produtividade e capacidade
dos recursos físicos e valor em nossos relacionamentos com a
comunidade. |
Mas a Human Dynamics foi bem diferente. Ela consiste
em um corpo de trabalhos que vai muito além das ferramentas que
havíamos usado antes. Na verdade, ela se tornou o pilar mais importante
para o desenvolvimento do ambiente de trabalho na Fábrica 11. Para
apreciar de fato esta história, é importante entender um tanto do
contexto. A cultura do Novo México é fascinante.
As culturas estatisticamente mais representativas
são, - em ordem cronológica de sua chegada - , os índios americanos,
a população de origem hispano-americana que lá se estabeleceu desde
o século XVI e os brancos de origem anglo-saxônica que chegaram
há somente 100 anos, aproximadamente. Uma vez que cerca de 45 por
cento de nossos funcionários são de origem hispânica, a família
é um fator muito importante. Você não fala de trabalho sem falar
da família, de seus parentes mesmo não imediatos e de outras pessoas
que são afetadas por qualquer decisão que você tome. Existe um poder
imenso neste tipo de norma cultural e sua integração à organização
empresarial. Eu, por qualquer razão, perdi esta aula na faculdade
de administração - mas um grande número de funcionários meus me
ajudaram a ganhar consciência desses relacionamentos.
No período de tempo desde que inauguramos essa
fábrica, 212 crianças nasceram nas famílias de pessoas constituintes
de nossa força de trabalho. Houve 93 casamentos, 18 divórcios e
17 mortes. Mais importante do que as estatísticas, entretanto, é
que existe na Fábrica 11 uma noção de que todo mundo sente o que
acontece com todo mundo. Estamos tentando dizer que trata-se de
uma comunidade. E ela inclui mais do que as pessoas que lá trabalham,
porque ela recebe suporte de uma enorme rede composta de outras
pessoas. Portanto, tentamos sempre nos lembrar que ela é uma comunidade
contida por outra comunidade; e nós respeitamos e apreciamos isso.
Outra dimensão importante da cultura que criamos é a idéia de "propriedade
assumida". Se você vê um problema que não é de fato de ninguém,
mas você o viu, então você o toma para si. Se for uma questão a
ser resolvida a longo prazo, você se reorganiza rapidamente, reformula
as equipes e instala uma estrutura adequada. Se for uma questão
de solução a curto prazo, então espera-se que todo mundo cuide dela.
Realmente tentamos criar um ambiente no qual as
pessoas vivem este tipo de filosofia. Eu, pessoalmente, nos últimos
quinze anos, já trabalhei em uma variedade de locais com a Intel.
Comecei no Oregon e depois estive em Livermore, Santa Clara, Phoenix,
Albuquerque e, agora, estou na Malásia. Trabalhei em sete fábricas
durante minha carreira, em quase todas as funções. E o fiz intencionalmente
- na verdade, queria saber como tudo aquilo funcionava. As pessoas,
em geral não desejam fazer o mesmo - preferem ficar na engenharia
ou na fabricação ou em qualquer área que seja, contanto que se sintam
bem. Mas eu passei muito tempo rodando por todas as funções. Não
desejava ser um especialista, mas queria ser capaz de me comunicar
com pessoas que o fossem. Dirigi quatro fábricas da Intel, tendo
sido, cada uma delas, um pouco maior, mais desafiante, e também
mais divertida, que a anterior. Alguns anos atrás, quando dirigia
outra fábrica, a fábrica 9, acabei ficando seriamente doente. Estava
nessa fábrica há cerca de um mês. Estávamos passando por sérios
problemas - vínhamos desperdiçando aproximadamente metade do material
que produzíamos, devido a uma série de problemas de confiabilidade
nos equipamentos. Isto foi bem na época em que a Intel estava anunciando,
por todos os meios, o lançamento de uma nova geração de microprocessadores
para todo o globo.
Eu estava disposto a virar a fábrica pelo avesso
o mais rapidamente possível e elevá-la ao nível das outras fábricas
que dirigi. Ao tentar fazê-lo, sem que as outras pessoas conhecessem
os tipos de sistemas que utilizáramos em outras fábricas, coloquei
tanta pressão sobre mim mesmo, que depois de um mês tive um enfarte.
Sabia exatamente que tipo de comportamento o provocara e como de
repente me vi em cima de uma das macas da fábrica sentindo-me como
se um elefante tentasse sentar sobre meu peito. Da maneira como
foi, tive até sorte. O enfarte não deixou graves seqüelas em meu
coração. Mais tarde, porém, o médico veio me perguntar se eu achava
que este tipo de carreira realmente valia a pena. Quando pedi que
fosse mais específico, respondeu: "Eu não continuaria neste tipo
de trabalho, se estivesse em seu lugar. "Bem, levei cerca de dois
ou três meses para me recuperar deste episódio e passei muito tempo
pensando no assunto. Pensei em trabalhar numa reserva florestal
em suas torres de observação ou numa biblioteca muito pouco visitada.
Mas, intuitivamente, tinha a sensação que poderia continuar meu
trabalho sem aquele tipo de pressão e, de fato, obter resultados
ainda melhores. Não sabia ainda como ia fazê-lo, mas, lá no fundo,
sabia que era possível e que a abordagem que eu vinha adotando e
o sistema em que me inseria, tinham que sofrer mudanças. Comecei
a concentrar-me no equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e na
integração dessas duas realidades.
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"O que seria necessário para criar um ambiente onde as
pessoas assumissem uma abordagem equilibrada, entre trabalho
e vida pessoal, e onde pudéssemos, ao mesmo tempo, atingir um
desempenho revolucionário?" |
Acho que uma das maiores descobertas, quando voltei
ao trabalho, foi que eu havia adquirido antenas que antes não tinha.
Essas antenas estavam captando sinais emitidos por pessoas, ao meu
redor, que estavam sentindo dificuldades no trabalho. Elas o estavam
realizando, porém sofriam - emocionalmente, espiritualmente e fisicamente.
As pessoas estavam simplesmente se triturando - estavam na mesma
rotineira moenda em que eu me colocara. Nunca me dera conta disto
antes; nunca havia percebido que as pessoas à minha volta sofriam
tanto. Foi, na verdade, um grande abrir de olhos. Perguntei-me o
que seria necessário para criar um ambiente onde as pessoas assumissem
uma abordagem equilibrada, entre trabalho e vida pessoal, e onde
pudéssemos, ao mesmo tempo, atingir um desempenho revolucionário.
E quero dizer desempenho revolucionário em nível pessoal, em nível
grupal e, também, em termos dos indicadores tradicionais de desempenho.
Cheguei à conclusão que valia a pena tentar atingir este estado.
Assim, comecei a trabalhar para criar um ambiente
que se voltasse para pessoas. Por exemplo, demos início a um processo
de, realmente, reconhecer aqueles que pertenciam à uma equipe. Tínhamos,
sobre isso, modelos mentais limitados - "Aquele lá é um gerente
da área de engenharia. Aquela ali é nossa gerente financeira. Aquele
ali é gerente de treinamento". Mas não sabíamos quem eles eram de
fato. Trabalhávamos uns com os outros, mas não conhecíamos a composição
da equipe em termos dos diferentes atributos, forças e fraquezas
de cada um e do conjunto. Contratamos alguns consultores que nos
ajudaram a distinguir os diferentes tipos de pessoas e as composições
de nossas equipes. E foi uma experiência, de certa forma, fascinante,
porque uma das coisas que aprendemos logo é que éramos um grupo
raro, em termos de diversidade entre seus integrantes.
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"E você aprecia como as pessoas possuem certos atributos,
bem distintos, que podem ser aproveitados, de forma extremamente
criativa, quando conjugados aos dos outros. " |
Assim, começamos a compreender por que estávamos
tendo problemas de comunicação. Eu dizia "verde" e alguém ouvia
"amarelo". Esta foi a primeira 'deixa' que eu tive sobre distinções
entre pessoas. Hoje, temos sete facilitadores treinados em Human
Dynamics para ministrar aulas a cada duas semanas. O material de
Human Dynamics tem sido fenomenal. Você descobre de que modos, diferentes
pessoas processam informações, comunicam-se, aprendem e resolvem
problemas. E não se trata de achar que um desses modos seja melhor
ou pior que outro, eles são apenas diferentes. E você aprecia como
as pessoas possuem certos atributos, bem distintos, que podem ser
aproveitados, de forma extremamente criativa, quando conjugados
aos dos outros. E, tudo que você aprende, se aplica a um funcionamento
mais eficaz da equipe. Por exemplo, existe o programa de Human Dynamics
de quatro dias de duração que inclui um exercício no qual equipes
com diferentes "Dinâmicas de Personalidade" focalizam-se em um problema
real da empresa. Depois de uma série de sessões, começamos a filmar
a apresentação oral de cada grupo, pois o grau de criatividade e
humor de cada um, a profundidade de suas abordagens e a utilidade
dos resultados, eram incríveis. Embora, em todas essas equipes,
as pessoas se sentissem, de certa forma, frustradas, elas também
tinham a oportunidade de experimentar o que uma equipe diversificada
pode fazer, dado o treinamento apropriado. E conforme praticavam,
mais e mais, começavam, de fato, a fazer uso das forças que as diferentes
pessoas tinham.
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"Quais são nossas capacidades e como as desenvolvemos?
A Human Dynamics oferece ferramentas-chave para este fim. " |
A Human Dynamics é também um sistema para o desenvolvimento.
E é aí que as outras ferramentas com que trabalhamos antes não ajudavam
muito. Quais são nossas capacidades e como as desenvolvemos? A Human
Dynamics oferece ferramentas-chave para este fim. Uma delas é criar,
de forma intencional, equipes de pessoas de dinâmicas diversificadas.
Descobrimos que quando fazemos isto, alcançamos resultados mais
criativos e um produto melhor. Também oferecemos palestras a cônjuges
para ajudar na qualidade dos relacionamentos familiares; em relação
à comunidade local utilizamos a Human Dynamics de outras formas.
Mantemos, por exemplo, diálogo contínuo com a comunidade sobre questões
ambientais. Em certa ocasião, quando estávamos tendo dificuldade
em entrar em acordo e as paixões estavam emergindo, juntamos parte
do meu pessoal com pessoas da comunidade e, coletivamente, participamos
de um seminário sobre Human Dynamics. Foi uma das experiências mais
intensas da minha vida. Trabalhamos com preferências de comunicação
e com questões relacionadas a trabalho em equipe; lentamente, começamos
a perceber que estávamos brigando pela mesma coisa. Apenas tínhamos
diferentes perspectivas e diferentes formas de abordar as coisas.
O seminário fez mais, no sentido de nivelar o terreno para a compreensão
recíproca do que qualquer outra coisa que havíamos feito até então.
Além disso, preparou a base para futuras discussões e investigações.
O que aprendi de mais importante com meu experimento?
Quando você se posiciona em um certo nível de competência técnica,
para mantê-la você precisa continuar a exercitar as habilidades
inerentes a essa competência; mas, para continuar progredindo profissionalmente,
90 por cento da ênfase suplementar têm que recair sobre formas de
desenvolver indivíduos, equipes e grupos como um todo. Se você faz
isto, os resultados que você alcança são, fundamentalmente, um sub
produto do bom trabalho do grupo, como grupo.
Na verdade, uma vez estabelecidas e adquiridas
as habilidades, competências e conhecimentos sobre o conteúdo do
que as pessoas têm que fazer em suas funções, obtivemos melhores
resultados focalizando-nos, não mais na tarefa, mas em como as pessoas
trabalham juntas. Na Intel, temos usado, o modelo TPM (Manutenção
Produtiva Total), que se preocupa com o potencial teórico das ferramentas
e sistemas e em como aumentar seus desempenhos operacionais. Assim,
pensamos: E se questionássemos o mesmo com relação à dimensão humana?
Qual o potencial de um ser humano e dos relacionamentos entre diferentes
seres humanos? Que valores podem ser aproveitados em termos de bem-estar
e realizações humanas? Parece-me que os limites desses potenciais
são, os de nossos modelos mentais sobre o que julgamos possível.
Foi, trabalhando com Human Dynamics, que acabamos por criar uma
base para diálogos interessantes em torno do potencial humano. Começamos
por falar sobre nossa necessidade de voltar a observar a maneira
como lidamos uns com os outros, as restrições que nos auto-impomos,
e toda a nossa concepção sobre o que as pessoas são capazes de fazer
- qual o seu verdadeiro potencial. Em face de tudo isso, verifico
que a Human Dynamics tem exercido um impacto no desempenho de equipes,
mais profundo do que qualquer outro ocorrido em nosso ambiente.
Um dos resultados financeiros de nosso trabalho e nossa filosofia
tem sido a economia de mais de 1 bilhão de dólares para nossa empresa.
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"Em decorrência do trabalho que as equipes realizaram utilizando
essas ferramentas, eles estão operando, exatamente neste momento,
como a melhor fábrica da Intel " |
Nosso desempenho eliminou a necessidade de uma
fábrica a mais. Além disto, estamos operando com um custo aproximadamente,
70 por cento abaixo do originalmente estabelecido como meta. Em
decorrência do trabalho que as equipes realizaram utilizando essas
ferramentas, eles estão operando, exatamente neste momento, como
a melhor fábrica da Intel como um todo, sejam quais forem os métodos
ou indicadores utilizados para medir este desempenho. Trata-se de
um grupo totalmente novo, com pessoas que nunca haviam trabalhado
juntas, sendo que apenas uma delas já havia ocupado função no mesmo
nível de responsabilidade que o atual. Eu desafio compará-las, agora
mesmo, com qualquer outra pessoa de nosso setor industrial! Este
é o resultado que obtivemos com essas ferramentas."
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